Como não acreditar num milagre depois disso ? Esta história aconteceu há muitos anos atrás, quando o meu filho ainda era um rapazinho. Nessa altura não havia telemóveis, por isso comunicávamos através de cartas e telegramas. As chamadas no telemóvel de casa eram caras e não rentáveis porque nem todos tinham um. E então um dia o meu filho saiu de casa e não voltou. Ele ia para outra cidade a negócios. Era suposto ele regressar em três dias, mas nunca regressou. Ninguém sabia o que tinha acontecido. Durante muitos anos chorei e pensei que o pior tinha acontecido, mas não perdi a esperança. Fiz um relatório policial, mas passado algum tempo o caso foi encerrado porque não encontraram nada. Fiquei apenas destroçado pelo luto.
Um dia, conheci o meu velho amigo no parque. Não nos víamos há muito tempo, e ela não tinha ouvido falar do que tinha acontecido ao meu filho. Contei-lhe a história, e ela contou-me imediatamente:
- “Já tentou telefonar-lhe?
- O que quer dizer? O que significa telefonar-lhe?
- Nunca ouviu falar dele? À noite, quando escurece, sai-se para a varanda e chama-se:“Filho, volta para casa!“. Tal como eu costumava fazer quando era miúdo. Dizem que, depois disso, as crianças voltam para casa. Experimenta.
Tinha a certeza de que não iria funcionar. É apenas um disparate que mantém viva a esperança e depois a destrói. Mas à noite chorei novamente pelo meu filho, por isso decidi tentar. Pensei que não podia ficar pior.
Então saí para a varanda, tomei um pulmão cheio de ar e gritei:
- “Filho, querido. É tão tarde, está na hora de voltar para casa.
Depois fiquei um pouco mais triste e não reparei como adormeci.
De manhã, levantei-me e, como de costume, comecei a limpar o apartamento e a fazer tortas. A minha irmã costuma vir visitar-me no sábado, por isso estava à sua espera. Desta vez, a campainha tocou mais cedo do que o habitual, mas fiquei contente por a minha irmã ter vindo tão cedo. Corri para a porta e abri-a. O meu filho estava de pé na soleira. Vivo e bem. Ele tinha voltado..