Trabalho como designer de interiores. Uma jovem mulher contratou-me para decorar o seu apartamento. Conhecemo-nos nesse apartamento. A mulher estava com o seu marido e um filho pequeno.
Eles tinham acabado de comprar este apartamento recentemente e queriam que tudo nele tivesse estilo e fosse moderno. A mulher estava bem arranjada e vestida com roupas de marca. O seu marido parecia desarrumado: sem barba, com um fato de treino antigo. Ele tinha um filho jovem que se recusava a sair do colo do seu pai.
A mulher fez-me uma visita guiada ao apartamento e disse-me o que queria fazer e onde. Ela decidiu transformar o quarto mais pequeno num berçário. Achei que era um pouco estranho.
Eu queria dizer algo, masdecidi manter a boca fechada.
Depois ela começou a dizer-me que precisava de um grande guarda-roupa na sala de estar. O quarto tinha de ter apenas cortinas de lavanda. O frigorífico e todos os utensílios de cozinha tinham de ser da mais alta tecnologia. Também deveria haver uma pequena mesa na cozinha onde toda a família se reuniria para jantar.
Olhámos para o apartamento durante cerca de duas horas. Durante este tempo, não ouvi uma única palavra do marido do cliente. Por isso, decidi perguntar-lhe pessoalmente:
– ” Tem alguma sugestão? Quer fazer alguma alteração?
Antes que ele pudesse abrir a boca, a sua esposa respondeu por ele:
– Que mudanças pode ele fazer? Ele não tem sentido de estilo!
Notei que o homem ficou perturbado com estas palavras. Ele baixou a cabeça e permaneceu em silêncio. Fui para casa com o coração pesado. Senti-me mal por este jovem. A sua mulher tem-no por nada. Porque é que ela casou com ele? Foi para o humilhar ou para evitar permanecer uma velha solteirona?
Decidi recusar-me a trabalhar com este cliente. Um apartamento deveria ser um lugar onde todos os membros da família se sentissem bem e confortáveis. Será que não estou certo?