Vivo há vários anos com meu filho e sua filhinha, já vi o pai dela castigá-la muitas vezes. E se antes estávamos encurralados no trigo sarraceno, hoje em dia é suficiente tirar o telefone da criança e já é o pior castigo e um desastre. A criança no trigo sarraceno ainda vai apreciar seu orgulho e com raiva vai durar pelo menos dez minutos, e a neta corre imediatamente para pedir desculpas e pedir o telefone de volta.
Uma vez que ela teve seu filho, ele novamente pegou o telefone e se recusou a devolvê-lo. A neta Samantha sentou-se comigo na sala de estar, suas sobrancelhas sulcadas, repreendeu mentalmente seu pai, mas em voz alta, toda murmurada: “Agora ele vai me pedir algo! Ele vai me pedir alguma coisa”!
A raiva diminuiu, e Samantha se interessou pelo que eu estava bordando, e se aproximou mais. E sutilmente, como se ela não estivesse nada interessada, perguntou:
– Como as crianças costumavam viver sem telefone?
Suspeito que era uma pergunta retórica, mas não pude resistir a responder:
– Costumávamos brincar de “cordel”, procurar por lilases de quatro folhas, e meus pais não conseguiam levá-los para casa à noite”, eu me sentia quente em meu coração com as lembranças dos velhos tempos. – E quanto aos meus joelhos quebrados! E corridas em bicicletas velhas que não tinham velocidade, mas apenas duas rodas e um volante…
Minha neta estava realmente interessada. Ela começou a fazer perguntas. Ela ouviu por muito tempo sobre minha infância e sobre a infância de seu pai, que não diferia muito da minha, exceto pela qualidade dos brinquedos.
Ela escutava com interesse, e depois murmurava de espanto:
– Sim, você teve uma boa infância…
Pela primeira vez, seu pai lhe devolveu o telefone, sem pedir por isso, embora Samantha tenha pedido desculpas. Ela me fez perguntas sobre o passado por algum tempo, e ela não conseguia lembrar que estava tão interessada em caminhar com seus amigos que se esqueceu de tudo no mundo – o telefone, de uma forma ou de outra, era uma distração.